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Education at a Glance 2026 evidencia desafios para ampliar acesso ao ensino superior no Brasil

O Brasil avançou na escolaridade da população, mas ainda enfrenta um desafio significativo para ampliar o acesso e a conclusão do ensino superior. É o que revela a edição 2026 do Education at a Glance, relatório produzido pela Orga- nização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne indicadores educacionais de países-membros e parceiros. Na população de 25 a 64 anos, 22,3% dos brasileiros tinham formação superior em 2024, ante 42,6% na média da OCDE.

O cenário ganha relevância diante dos objetivos estabelecidos pelo novo Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pela Lei nº 15.388/2026. O Objetivo 14, dedicado ao acesso, à permanência e à conclusão na graduação, estabelece metas para ampliar a participação da população no ensino superior e reduzir desigualdades. Entre elas está a elevação para 40% do percentual da população de 18 a 24 anos com acesso a cursos de graduação e para 40% o percentual da população de 25 a 34 anos com educação superior completa. O plano também estabelece a meta de alcançar dois milhões de titulações anuais na graduação, sendo pelo menos 400 mil no segmento público, além de elevar para 60% a taxa bruta de escolarização na educação superior.

Os números da OCDE mostram a dimensão do desafio. Entre os brasileiros de 25 a 34 anos, a parcela com educação superior passou de 19,2%, em 2016, para 24,2%, em 2024. Apesar do crescimento, o percentual permanece distante dos 47,4% registrados na média da OCDE em 2025.

O relatório também chama atenção para a conclusão dos cursos. No Brasil, 79% dos estudantes concluíram o ensino superior até dois anos após a duração inicial do curso.

Para a secretária-executiva da AMIES, Priscila Planelis, a pesquisa reforça a necessidade de políticas que combinem expansão do acesso com condições para que o estudante permaneça e conclua sua formação. “Os dados mostram que o Brasil ainda tem um caminho importante a percorrer para ampliar a escolaridade superior da população. Por isso, é fundamental fortalecer políticas de acesso e permanência, especialmente pro meio de programas como o Prouni e o Fies, que contribuem para ampliar as oportunidades de ingresso de estudantes que não têm condições de arcar integralmente com os custos de uma graduação”, ressaltou.

A agenda defendida no novo PNE contempla estratégias de expansão planejada da graduação, preenchimento de vagas remanescentes e ociosas, políticas para elevar a taxa de conclusão, assistência estudantil e apoio a estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, além da adequação da oferta de cursos às necessidades de desenvolvimento econômico e social.

Mobilidade internacional
Outro indicador relevante para o ensino superior é a mobilidade acadêmica internacional. Em 2024, apenas 1% dos estudantes brasileiros estavam estudando no exterior, enquanto a média da OCDE era de 6%. No sentido inverso, os estudantes internacionais representavam menos de 1% dos matriculados no Brasil, contra 12% na média da organização.

Entre os brasileiros que estudavam fora do país, os principais destinos eram Argentina (28%), Estados Unidos (18%) e Portugal (17%). Entre os estudantes estrangeiros no Brasil, Venezuela, Angola e Colômbia eram os principais países de origem. O relatório aponta ainda que, entre 2015 e 2024, as proporções de estudantes brasileiros no exterior e de estrangeiros no Brasil permaneceram estáveis, enquanto a mobilidade internacional cresceu na média da OCDE.

Investimento
O relatório também apresenta dados sobre o financiamento da educação. Em 2023, o gasto governamental brasileiro da educação primária à superior correspondeu a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da média de 4% registrada pela OCDE. No entanto, quando considerado o investimento por estudante, a diferença é expressiva: o gasto médio brasileiro da educação primária à superior foi de US$ 4.133 em 2023, contra US$ 13.601 na média da OCDE.

O tema também está diretamente relacionado ao novo PNE. O Objetivo 19, que trata de financiamento e infraestrutura da educação, estabelece a elevação do investimento público em educação para 7,5% do PIB até o sétimo ano de vigência do plano e 10% ao final do decênio. Para o ensino superior público, o plano prevê ainda a ampliação contínua dos recursos destinados à manutenção, expansão, melhoria e reestruturação das instituições, com o objetivo de garantir e ampliar atividades de ensino, pesquisa e extensão.

Escassez docente
A falta de professores é o tema central da edição 2026 do Education at a Glance. No Brasil, 9% dos professores da educação primária e secundária em instituições públicas não eram plenamente qualificados em 2024/2025, percentual próximo à média de 9,1% observada na OCDE. O relatório ressalta que a escassez docente se manifesta de diferentes formas e está relacionada tanto à formação quanto à capacidade dos sistemas educacionais de atrair e reter profissionais.

Outro dado chama atenção: 10,3% dos professores plenamente qualificados da educação primária e secundária deixaram a profissão no Brasil em 2022, por aposentadoria ou desligamento, diante de uma média de 6,4% na OCDE.

A questão da formação docente também está presente no novo PNE. O Objetivo 17 estabelece metas para assegurar a formação superior específica dos professores da educação básica e prevê o planejamento nacional da oferta de licenciaturas, com atenção ao equilíbrio entre demanda e oferta de profissionais e às diferenças regionais.

“Precisamos olhar para a formação de professores e incentivar as licenciaturas, porque a expansão sustentável da educação depende também da existência de profissionais qualificados em todas as etapas do sistema educacional”, lembrou Priscila Planelis.

Educação superior
Os dados do Education at a Glance 2026 colocam em perspectiva alguns dos principais desafios da educação brasileira: ampliar a escolaridade superior, aumentar as taxas de conclusão, promover maior mobilidade internacional, assegurar financiamento adequado e enfrentar a escassez de professores.

No caso do ensino superior, os indicadores dialogam diretamente com a agenda estabelecida pelo novo PNE. O desafio não está apenas em ampliar o número de pessoas que chegam à graduação, mas também em garantir acesso com qualidade, permanência, conclusão e redução das desigualdades.

Para a AMIES, a convergência entre os indicadores internacionais e as metas nacionais reforça a importância de políticas públicas construídas com participação das instituições de ensino superior e voltadas à ampliação de oportunidades educacionais. O relatório da OCDE, nesse sentido, oferece uma referência para acompanhar a evolução do Brasil ao longo da próxima década e avaliar os avanços em direção às metas estabelecidas pelo novo PNE.

Foto: Magnific

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